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22.12.08

Derreto-me invisível

Mergulhado, absorto em resplandecências nuas, quase esquecido naquela cena. Era só eu e mais ninguém num mundo cristalino, gelado por um instante e no outro confortavelmente anestesiado. Ela corria meus braços, meus cabelos, quase me afogava. Eu de certo que não a deixaria. Meus peitos ela acariciava, minha barriga, lambia. Tentava me seduzir da forma mais barata, enrugava-me.

Pairava algo novo naquela imensidão. Uma avidez insípida que cabia na palma da mão. Um soluço inodoro que transcorria as veias. Um suspiro incolor que transluzia o universo em nenhuma cor. O espaço invisível me tomava por completo. Era chegada a hora de partir, se dividir, se desgrudar. Por um instante, ela venceu. Eu não conseguia mais diferenciar o que era água e o que era eu.