22.12.08

Derreto-me invisível

Mergulhado, absorto em resplandecências nuas, quase esquecido naquela cena. Era só eu e mais ninguém num mundo cristalino, gelado por um instante e no outro confortavelmente anestesiado. Ela corria meus braços, meus cabelos, quase me afogava. Eu de certo que não a deixaria. Meus peitos ela acariciava, minha barriga, lambia. Tentava me seduzir da forma mais barata, enrugava-me.

Pairava algo novo naquela imensidão. Uma avidez insípida que cabia na palma da mão. Um soluço inodoro que transcorria as veias. Um suspiro incolor que transluzia o universo em nenhuma cor. O espaço invisível me tomava por completo. Era chegada a hora de partir, se dividir, se desgrudar. Por um instante, ela venceu. Eu não conseguia mais diferenciar o que era água e o que era eu.

6 comentários:

Norberto V. disse...

Duca, véiooooo!!!!!
Me senti aqualunguizado total.

Helô disse...

Avidez insípida?
Soluço inodoro?
Noooosaaa, onde estavas naquele momento?
Que coisa, heim!?!
Beijuuuuu, queridiuuu

Léo F. disse...

bah, meu, me diz o que tu tá tomano ae que eu quero tb!!!!!!!!
muito boa essa viagem!!!!!!!!

Rodrigão disse...

Qualé, irmão? Tudo certinho por terras gaúchas? Muito bons teus textos, amigo. Abração forte com saudades.

Anônimo disse...

Viagem de ácido, só pode ser, não há outra explicação possível. Ou o cara é uma viagem em si, em dó, ré, fá, sol. Vai se fuder, escreve mutio bem. K.

sabrezito quem? disse...

Uma vez, a água me cortou...